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A pandemia da Covid-19 acentuou um problema já antigo. Os homens, que normalmente já procuram pouco os serviços de saúde, passaram a procurar ainda menos os consultórios médicos durante a quarentena. Entre efeitos disso está a possibilidade de crescimento dos casos mais graves de câncer.

 

Dados de um levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) revelam que 55% dos homens acima de 40 anos deixaram de fazer alguma consulta ou tratamento médico em função da pandemia.

 

No mês de novembro, em que as atenções se voltam para a importância do diagnóstico do câncer de próstata, o urologista e diretor da SBU-BA, Jessé Oliveira, sinaliza que a preocupação dos especialistas com o diagnóstico precoce e acompanhamento da evolução de tumores de próstata se intensificou neste ano.

 

"A gente continua vendo a procura por exames de rotina em escala menor. As pessoas, principalmente no auge da pandemia e das medidas de restrição, lá em março e abril, tinham receio de buscar avaliação médica", explicou o urologista, ao acrescentar que a redução de atendimentos nos consultórios em que atende chegou a 60% nesses meses.

 

Atualmente os consultórios têm trabalhado com cerca de 30% de redução. Diante da queda, a campanha "Novembro Azul" ganha ainda mais importância neste ano, reforça médico.

 

O mesmo alerta parte do oncologista Rafael Batista, do Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB). "A gente teve uma redução importante no número de casos de câncer de próstata diagnosticados, o que não significa diminuição da doença e sim falta de diagnóstico", adverte.

 

Os efeitos da redução nos diagnósticos de câncer de próstata, segundo o oncologista, ainda serão sentidos. O profissional explica que quando identificado precocemente a chance de cura deste tipo de tumor chega a 90%. Nos casos em que isso não ocorre, junto com o diagnóstico tardio cresce a chance de avanço do câncer e necessidade de tratamentos complementares. Como a pandemia continua afastando as pessoas dos consultórios, as consequências ainda serão sentidas.

 

"No futuro a gente acredita que a falta de diagnósticos precoces vão refletir no aumento no número de pacientes com necessidade de tratamento complementar", sinalizou, ao explicar que nos casos de diagnóstico de cânceres já avançados, esse tipo de complemento é necessário.

 

FATORES DE RISCO

Em Salvador, maior cidade negra fora da África, o alerta é ainda maior. Isso porque um dos fatores de risco para o câncer de próstata é a raça negra. Jessé Oliveira diz que a explicação é genética. “Da mesma forma que o tumor de estômago é mais comum na raça branca, os de próstata são mais comuns na negra”, disse o diretor da SBU-BA.

 

São ainda fatores de risco a idade e o histórico familiar. “Se você tem um parente de primeiro grau com câncer de próstata, a chance de ter é duas vezes maior do que alguém sem histórico na família. Quem tem dois parentes, a chance aumenta para seis vezes”, avisou Jessé.

 

A SBU alerta que o início da avaliação do risco de câncer da próstata começa aos 50 anos. Entretanto, homens da raça negra, obesos mórbidos ou com parentes de primeiro grau com tumores deste tipo devem começar aos 45 anos.

 

Quanto aos sintomas, as pessoas também devem se atentar a sinais como sangue na urina, dor abdominal e região lombar, dificuldade para urinar, perda de peso e/ou de apetite, que podem ser sugestivos para tipos de câncer do aparelho urinário. 

 

O PSA é o marcador mais utilizado no auxílio ao diagnóstico de câncer de próstata, explica a SBU. Mas a entidade considera fundamental o exame de toque retal. A finalidade desse exame é detectar qualquer alteração na próstata (endurecimento, nódulos) que possa estar relacionada com a presença do câncer.

Fonte:Bahia Notícias
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